A romancista Isabel Allende foi premiada nesta quinta, 2, com o Prêmio Nacional de Literatura 2010 no Chile, anunciou o ministro da Educação, Joaquín Lavín. Segundo Lavín, o jurado levou em conta que Isabel "foi reconhecida com várias distinções e tem revalorizado o papel do leitor".
EFE/Random House
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Isabel Allende, a quarta vencedora do prêmio chileno
"É sem dúvida o prêmio mais importante" que recebi em minha carreira", disse a autora falando por telefone de sua residência em San Rafael, ao norte de São Francisco, na Califórnia. Disse que chegou a chorar" ao receber a notícia e admitiu que "nunca" esperou receber tal prêmio.
Nascida en 1942, Isabel é a quarta mulher a conquistar o prêmio, que é entregue a cada dois anos, depois de Gabriela Mistral (1951), Marta Brunet (1961) e Marcela Paz (1982).
A autora de A Casa dos Espíritos, De Amor e de Sombra, Paula, entre outros livros que venderam 55 milhões de exemplares em todo o mundo, visitará seu país dentro de duas semanas para participar dos festejos pelo bicentenário na independência nacional, segundo a jornalista Delia Vergara que é grande amiga de Isabel e quem promoveu sua candidatura ao Prêmio Nacional de Literatura.
Por meio de uma videoconferência, a escritora agradeceu o prêmio, que além de um valor em dinheiro lhe dá uma pensão vitalícia do estado, e aproveitou para mandar "um abraço grande" aos 33 mineiros que estão a 700 metros de profundidade em uma mina de ouro e cobre no norte do país.
sexta-feira, 3 de setembro de 2010
quarta-feira, 1 de setembro de 2010
Jairo Cézar - o Poeta do Ônibus
Interessante como existem textos que surgem diante de nós sem que percebamos isso. Em meados de 1999, na UFPB, entrando em letras, eu, que ainda era um jovem mané e desconfiado do interior, conheci o poeta Jairo Cézar. Ele tinha uns versos para mostrar que, a princípio, gostamos, mas era só uma brincadeira. Com o tempo, criamos um jornal literário na universidade para postar nossas opiniões literárias, e mais ou menos o que pensávamos da arte. Ali, naquele jornalzinho, vi os primeiros versos de Escritos no Ônibus saltarem para o mundo público. Não demorou muito, e tivemos contato com gente de renome na poesia e na literatura, como Sérgio de Castro Pinto, Astier Basílio, Linaldo Guedes Aquino e Arturo Gouveia. Logo fui convidado por ele para escrever o prefácio de seu livro. Inicialmente era proposto fazê-lo como livro artesanal, ou produção independente em uma gráfica, mas, em 2007, inscrevendo-o em um concurso da Funjope, Jairo ganhou a publicação, ao lado de Archidy Picado Filho. O livro só saiu agora em 2010, mas valeu à pena o esforço e a espera. E com meu prefácio nele!!!!!! [risos].
Como ainda não li Archidy completo, optarei pelo silêncio, ficarei com a crítica somente sobre o cabra de Sapé. Nascido em espírito na cidade onde o poeta Augusto dos Anjos nasceu em corpo, Sapé, Jairo Cézar logo nas primeiras linhas de seus poemas apresentava um estilo similar ao de Augusto dos Anjos, com uma linguagem marcante, escatológica e satírico-pessimista. Por outro lado, Jairo começava a misturá-lo com algo próprio, num usar das palavras que o fazia marxista, materialista, espiritual e completamente engajado em termos de política, história e cultura. Jairo é panfletário? É, sim senhor! Mas não há nada de errado em ser panfletário. Outros autores com quem cheguei a entrar em contato, alguns até com livros publicados, não são poetas, mas apenas escritores. Pessoas que já li, como escritores dos ramos de fantasia, policial e ficção científica no Brasil, são apenas escritores, distantes que estão de serem poetas. Alguns que escrevem bem até consideram o panfletarismo maléfico para a literatura, como um escritor e crítico dono de comunidades de Orkut, mas é assunto para uma outra postagem aqui. Assim como você escreve uma carta, uma resposta numa prova ou o próprio nome, esses escritores escrevem contos. Querem ganhar público e participar da mídia, não fazer arte (isso também assunto já de outras postagens aqui).
Não é o que acontece com o poeta paraibano, pois sua preocupação é escrever versos, e fazer poesia. Por isso resolvi reler os poemas dele, e dessa vez em livro publicado, e percebi que algo mudou. Não somente a ordem dos poemas influi na interpretação dos mesmos, como também a idade em que os lemos. Quando li O Capital pela primeira vez, no jornalzinho Os Renegados, tinha um espírito mais politizado e engajado, e interpretei como um manifesto político, uma profissão de fé de um poeta. Hoje, relendo, a idade me obrigou a interpretá-lo de outra forma, como um pedaço das angústias de um poeta à procura de sua inspiração num mundo capitalista. Ao ler Baba concreta n'Os Renegados, entendi uma revolta à forma como Amador Ribeiro Neto entendia a poesia. Hoje, não consigo deixar de conceber ali uma homenagem.
Jairo consegue mesclar duas coisas que são essenciais na poesia, e que acho bastante caras quando me deparo com as músicas das massas. Ele é simples de entender, mas profundo em deixar marcas. Como eu e alguns outros membros d'Os Renegados, Jairo veio do interior, e teve contato com poetas não canônicos da poesia oral desde cedo. Não só Augusto dos Anjos tornou-se seu mestre lírico, como também Zé Limeira, Zé da Luz, Zé Laurentino, Chico Pedrosa, Leandro Gomes de Barros e muitos outros. Daí podermos observar nele poemas como Latifundiário que utiliza-se de um acróstico, recurso muito usado por poetas orais e cordelistas. Isso explica coisas como o Pseudo-Poeta Ecumênico:
Ah! Se soubesse eu poetar.
Poetaria não as belas coisas,
Mas as mazelas, as pestes e as doenças.
Musicaria dissabores, tristezas e as crenças
Mais esdrúxulas e as dores mais intensas.
Em minha lira caberiam só feiúras.
Ódio, rancor, traição e sem candura
Versificaria os filhos do horror, dos estupros
E da'margura.
Poria em rima todo corpo putrefato
Que se encontra no universo.
E uma vez meu livro aberto,
Libertar-se-ia toda podridão que já é fato.
Metrificaria o imetrificado.
Toda bruxaria, transgressão e o pecado.
Por fim, cuspiria no amor, na beleza, no leitor
E no sagrado.
O poema acima, que por muito tempo eu chamei de Salmo Profano de Jairo me marcou profundamente. É uma profundidade conceitual grande que não observei em outros poetas locais, e muito menos em escritores de outras regiões como São Paulo e Rio de Janeiro. Jairo, desde sempre, nunca preocupou-se em conquistar um público-alvo, ele só mirou em externar suas angústias, tanto que nunca aprendeu a metrificar um verso, e o único soneto quase perfeito dele que já li na vida veio depois de quase um ano de esforço. Mesmo assim, ele demonstrou possui domínio em algo ainda melhor que a métrica, que a forma: ele consegue dominar palavras, como um vaqueiro que domina um burro-mulo brabo com cabresto e pulso firme.
FONTE: http://www.assassinador.blogspot.com/
Como ainda não li Archidy completo, optarei pelo silêncio, ficarei com a crítica somente sobre o cabra de Sapé. Nascido em espírito na cidade onde o poeta Augusto dos Anjos nasceu em corpo, Sapé, Jairo Cézar logo nas primeiras linhas de seus poemas apresentava um estilo similar ao de Augusto dos Anjos, com uma linguagem marcante, escatológica e satírico-pessimista. Por outro lado, Jairo começava a misturá-lo com algo próprio, num usar das palavras que o fazia marxista, materialista, espiritual e completamente engajado em termos de política, história e cultura. Jairo é panfletário? É, sim senhor! Mas não há nada de errado em ser panfletário. Outros autores com quem cheguei a entrar em contato, alguns até com livros publicados, não são poetas, mas apenas escritores. Pessoas que já li, como escritores dos ramos de fantasia, policial e ficção científica no Brasil, são apenas escritores, distantes que estão de serem poetas. Alguns que escrevem bem até consideram o panfletarismo maléfico para a literatura, como um escritor e crítico dono de comunidades de Orkut, mas é assunto para uma outra postagem aqui. Assim como você escreve uma carta, uma resposta numa prova ou o próprio nome, esses escritores escrevem contos. Querem ganhar público e participar da mídia, não fazer arte (isso também assunto já de outras postagens aqui).
Não é o que acontece com o poeta paraibano, pois sua preocupação é escrever versos, e fazer poesia. Por isso resolvi reler os poemas dele, e dessa vez em livro publicado, e percebi que algo mudou. Não somente a ordem dos poemas influi na interpretação dos mesmos, como também a idade em que os lemos. Quando li O Capital pela primeira vez, no jornalzinho Os Renegados, tinha um espírito mais politizado e engajado, e interpretei como um manifesto político, uma profissão de fé de um poeta. Hoje, relendo, a idade me obrigou a interpretá-lo de outra forma, como um pedaço das angústias de um poeta à procura de sua inspiração num mundo capitalista. Ao ler Baba concreta n'Os Renegados, entendi uma revolta à forma como Amador Ribeiro Neto entendia a poesia. Hoje, não consigo deixar de conceber ali uma homenagem.
Jairo consegue mesclar duas coisas que são essenciais na poesia, e que acho bastante caras quando me deparo com as músicas das massas. Ele é simples de entender, mas profundo em deixar marcas. Como eu e alguns outros membros d'Os Renegados, Jairo veio do interior, e teve contato com poetas não canônicos da poesia oral desde cedo. Não só Augusto dos Anjos tornou-se seu mestre lírico, como também Zé Limeira, Zé da Luz, Zé Laurentino, Chico Pedrosa, Leandro Gomes de Barros e muitos outros. Daí podermos observar nele poemas como Latifundiário que utiliza-se de um acróstico, recurso muito usado por poetas orais e cordelistas. Isso explica coisas como o Pseudo-Poeta Ecumênico:
Ah! Se soubesse eu poetar.
Poetaria não as belas coisas,
Mas as mazelas, as pestes e as doenças.
Musicaria dissabores, tristezas e as crenças
Mais esdrúxulas e as dores mais intensas.
Em minha lira caberiam só feiúras.
Ódio, rancor, traição e sem candura
Versificaria os filhos do horror, dos estupros
E da'margura.
Poria em rima todo corpo putrefato
Que se encontra no universo.
E uma vez meu livro aberto,
Libertar-se-ia toda podridão que já é fato.
Metrificaria o imetrificado.
Toda bruxaria, transgressão e o pecado.
Por fim, cuspiria no amor, na beleza, no leitor
E no sagrado.
O poema acima, que por muito tempo eu chamei de Salmo Profano de Jairo me marcou profundamente. É uma profundidade conceitual grande que não observei em outros poetas locais, e muito menos em escritores de outras regiões como São Paulo e Rio de Janeiro. Jairo, desde sempre, nunca preocupou-se em conquistar um público-alvo, ele só mirou em externar suas angústias, tanto que nunca aprendeu a metrificar um verso, e o único soneto quase perfeito dele que já li na vida veio depois de quase um ano de esforço. Mesmo assim, ele demonstrou possui domínio em algo ainda melhor que a métrica, que a forma: ele consegue dominar palavras, como um vaqueiro que domina um burro-mulo brabo com cabresto e pulso firme.
FONTE: http://www.assassinador.blogspot.com/
Literatura na TV SENADO
Apresentado pelo jornalista Maurício Melo Júnior, o programa Leituras é o espaço dedicado à análise e à divulgação da literatura brasileira. Na primeira parte do programa é veiculada uma entrevista com um escritor ou com um especialista, sempre abordando assuntos literários. Com isso, são debatidos os vários aspectos da literatura, abrindo-se espaço para todas as correntes criativas. Em um segundo momento são analisadas obras atuais, procurando formar um juízo de valor que ressalte as qualidades reais e os possíveis equívocos dos textos em questão.
Em uma linguagem ágil e acessível, o Leituras desmitifica a criação literária, destacando-a como uma atividade humana rica e desprovida de mistérios.
O programa vai ao ar aos domingos em vários horários com reprise durante a semana.
Em uma linguagem ágil e acessível, o Leituras desmitifica a criação literária, destacando-a como uma atividade humana rica e desprovida de mistérios.
O programa vai ao ar aos domingos em vários horários com reprise durante a semana.
Poema de Augusto dos Anjos
A ÁRVORE DA SERRA
- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...
- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
- As árvores, meu filho, não têm alma!
E esta árvore me serve de empecilho...
É preciso cortá-la, pois, meu filho,
Para que eu tenha uma velhice calma!
- Meu pai, por que sua ira não se acalma?!
Não vê que em tudo existe o mesmo brilho?!
Deus pôs almas nos cedros... no junquilho...
Esta árvore, meu pai, possui minha alma!...
- Disse - e ajoelhou-se, numa rogativa:
"Não mate a árvore, pai, para que eu viva!"
E quando a árvore, olhando a pátria serra,
Caiu aos golpes do machado bronco,
O moço triste se abraçou com o tronco
E nunca mais se levantou da terra!
Vi no blog de Linaldo Guedes
A peleja dos poetas
O caso explodiu como uma bomba nos twitters da vida.
E partiu do poeta Astier Basílio.
Ele denunciou em seu twitter que seu nome teria sido vetado para participar do evento Agosto das Letras, promovido pela prefeitura municipal de João Pessoa através da Funjope.
Censura ou apenas critérios de escolha?
Bem, o blogue se preocupou em ouvir os dois lados da questão e reproduz abaixo entrevistas feitas com os principais personagens de mais este moído em nossa cena cultural: Astier Basílio, o denunciante, e André Ricardo Aguiar, diretor da Divisão de Literatura da Funjope e responsável pelo evento.
Confiram:
5 perguntas para Astier Basílio
Com base em que você diz que foi censurado no evento Agosto das Letras este ano?
Pela declaração dada a mim pelo cordenador de literatura da Funjope. Às vésperas do evento, encontrei com ele pessoalmente, e perguntei sobre a participação na minha mesa. É que pelo mesmo período eu fui convidado pelo Festival A Letra e a Voz de Recife. Perguntei de minha participação e fui informado de que houve “problemas administrativos” que não puderam ser compatibilizados. Não entendi o significado e, então, perguntei se tinha havido algum veto ao meu nome. O coordenador de literatura confirmou o veto e disse que alguém da Funjope, sem me nomear quem tinha sido, foi o responsável por tal medida. Toda informação me foi passada pela coordenação de literatura da Funjope.
Você acha que isso ainda pode ser rescaldo daquela confusão envolvendo seu nome e a Funjope envolvendo o Prêmio Lúcio Lins?
Ainda de acordo com o coordenador de literatura, na mesma conversa que tive pessoalmente, às vésperas do evento, o veto se fundamentaria devido, sim, ao que aconteceu em 2008, no Prêmio Lúcio Lins. O coordenador, inclusive, disse que “por enquanto” meu nome estaria vetado, mas que esta situação tenderia ser mudada futuramente.
Você chegou a falar com o presidente da Funjope, Chico César, sobre essa “censura”?
Enviei um e-mail na sexta-feira para o presidente da Funjope e até o momento não recebi resposta.
Que providências você pretende adotar, caso se confirme a censura?
Lamentar. Lamentar que haja esse tipo de procedimento em uma instituição pública e cultural.
Que avaliação você faz desse episódio?
Que por mais que o tempo passe, a Paraíba dá a impressão de não ter saído de 1930.
5 perguntas para André Ricardo Aguiar
O poeta Astier Basílio disse em seu twitter que foi censurado no Agosto das Letras. O que você tem a dizer sobre o assunto?
O Astier Basílio não foi censurado simplesmente porque não recebeu convite formal para participar das mesas do Agosto das Letras. Evidentemente que seria bem-vindo tanto a intregrar o evento, que é público e que interessa a todos nós, como a participar das mesas como ouvinte, como tantos escritores fizeram. Acho que, lamentavelmente, ele confundiu o evento com Antologia ou Censo dos Poetas. Eventos não comportam toda a riqueza da nossa atual literatura paraibana através de uma lista exaustiva de todos os nomes. Interessante que só Astier levantou a grita, porque nomes como Águia Mendes, Assunção, Lau Siqueira, Abrahão Cost’Andrade também não foram chamados e nem sequer se sentiram ofendidos.
Que critérios foram utilizados na definição dos nomes convidados para participar do evento?
Não existiram critérios de seleção, porque não era concurso público. Montar mesas junto com determinados temas e com poucos espaços e tempo reduzidos inevitavelmente reduziria o número de participantes. Foram escolhas minhas, pensadas como qualquer organizador faria: nomes que (a exemplo de Astier) sempre tem algo a dizer e que, trazidos à baila, não precisaram de critérios competitivos. Mesas redondas, repito, não é licitação, nem competição de méritos. São escolhas e como tais, também trazem, infelizmente, um recorte. Todos os poetas paraibanos, todos os teatrólogos, todos os romancistas não podem, pelas leis da física, estar num evento ao mesmo tempo. A escolha foi minha e os nomes foram aparecendo, sem detrimento de qualidade. Outros eventos e outros convites aparecerão, contemplando os que não puderam integrar o Agosto.
O presidente da Funjope, Chico César, chegou a sugerir ou vetar nomes para o evento? Quais?
Chico César sugeriu nomes, como eu sugeri outros, como as pessoas que conversei sugeriram outros e outros, em caráter espontâneo, embora com responsabilidade (e não de assessoria informal). Sugerir não é demérito. Sugerir por pessoas que entendem o panorama literário é muito bem-vindo. Não houve, portanto, NENHUM VETO, muito menos da parte de Chico César, artista esclarecido e que em questões de cultura é humanamente universal – e qualquer insinuação de tal ordem me parece manipulação abusiva.
Como foi organizar um evento como este?
Como se pode ver, não é fácil. As vaidades feridas parecem ver chifre em cabeça de cavalo – quando na verdade, há sim, muito suor e tentativa de fazer o melhor possível.
Que avaliação você faz desse episódio?
O episódio me parece tolo, muito fermento para pouco bolo, construído por retórica vazia para preencher algo aquém da literatura. Mas como não vivo de politicagem literária – embora conheça tantas – continuo com minha postura de nem dar muita atenção e continuar com a consciência tranquila.
O caso explodiu como uma bomba nos twitters da vida.
E partiu do poeta Astier Basílio.
Ele denunciou em seu twitter que seu nome teria sido vetado para participar do evento Agosto das Letras, promovido pela prefeitura municipal de João Pessoa através da Funjope.
Censura ou apenas critérios de escolha?
Bem, o blogue se preocupou em ouvir os dois lados da questão e reproduz abaixo entrevistas feitas com os principais personagens de mais este moído em nossa cena cultural: Astier Basílio, o denunciante, e André Ricardo Aguiar, diretor da Divisão de Literatura da Funjope e responsável pelo evento.
Confiram:
5 perguntas para Astier Basílio
Com base em que você diz que foi censurado no evento Agosto das Letras este ano?
Pela declaração dada a mim pelo cordenador de literatura da Funjope. Às vésperas do evento, encontrei com ele pessoalmente, e perguntei sobre a participação na minha mesa. É que pelo mesmo período eu fui convidado pelo Festival A Letra e a Voz de Recife. Perguntei de minha participação e fui informado de que houve “problemas administrativos” que não puderam ser compatibilizados. Não entendi o significado e, então, perguntei se tinha havido algum veto ao meu nome. O coordenador de literatura confirmou o veto e disse que alguém da Funjope, sem me nomear quem tinha sido, foi o responsável por tal medida. Toda informação me foi passada pela coordenação de literatura da Funjope.
Você acha que isso ainda pode ser rescaldo daquela confusão envolvendo seu nome e a Funjope envolvendo o Prêmio Lúcio Lins?
Ainda de acordo com o coordenador de literatura, na mesma conversa que tive pessoalmente, às vésperas do evento, o veto se fundamentaria devido, sim, ao que aconteceu em 2008, no Prêmio Lúcio Lins. O coordenador, inclusive, disse que “por enquanto” meu nome estaria vetado, mas que esta situação tenderia ser mudada futuramente.
Você chegou a falar com o presidente da Funjope, Chico César, sobre essa “censura”?
Enviei um e-mail na sexta-feira para o presidente da Funjope e até o momento não recebi resposta.
Que providências você pretende adotar, caso se confirme a censura?
Lamentar. Lamentar que haja esse tipo de procedimento em uma instituição pública e cultural.
Que avaliação você faz desse episódio?
Que por mais que o tempo passe, a Paraíba dá a impressão de não ter saído de 1930.
5 perguntas para André Ricardo Aguiar
O poeta Astier Basílio disse em seu twitter que foi censurado no Agosto das Letras. O que você tem a dizer sobre o assunto?
O Astier Basílio não foi censurado simplesmente porque não recebeu convite formal para participar das mesas do Agosto das Letras. Evidentemente que seria bem-vindo tanto a intregrar o evento, que é público e que interessa a todos nós, como a participar das mesas como ouvinte, como tantos escritores fizeram. Acho que, lamentavelmente, ele confundiu o evento com Antologia ou Censo dos Poetas. Eventos não comportam toda a riqueza da nossa atual literatura paraibana através de uma lista exaustiva de todos os nomes. Interessante que só Astier levantou a grita, porque nomes como Águia Mendes, Assunção, Lau Siqueira, Abrahão Cost’Andrade também não foram chamados e nem sequer se sentiram ofendidos.
Que critérios foram utilizados na definição dos nomes convidados para participar do evento?
Não existiram critérios de seleção, porque não era concurso público. Montar mesas junto com determinados temas e com poucos espaços e tempo reduzidos inevitavelmente reduziria o número de participantes. Foram escolhas minhas, pensadas como qualquer organizador faria: nomes que (a exemplo de Astier) sempre tem algo a dizer e que, trazidos à baila, não precisaram de critérios competitivos. Mesas redondas, repito, não é licitação, nem competição de méritos. São escolhas e como tais, também trazem, infelizmente, um recorte. Todos os poetas paraibanos, todos os teatrólogos, todos os romancistas não podem, pelas leis da física, estar num evento ao mesmo tempo. A escolha foi minha e os nomes foram aparecendo, sem detrimento de qualidade. Outros eventos e outros convites aparecerão, contemplando os que não puderam integrar o Agosto.
O presidente da Funjope, Chico César, chegou a sugerir ou vetar nomes para o evento? Quais?
Chico César sugeriu nomes, como eu sugeri outros, como as pessoas que conversei sugeriram outros e outros, em caráter espontâneo, embora com responsabilidade (e não de assessoria informal). Sugerir não é demérito. Sugerir por pessoas que entendem o panorama literário é muito bem-vindo. Não houve, portanto, NENHUM VETO, muito menos da parte de Chico César, artista esclarecido e que em questões de cultura é humanamente universal – e qualquer insinuação de tal ordem me parece manipulação abusiva.
Como foi organizar um evento como este?
Como se pode ver, não é fácil. As vaidades feridas parecem ver chifre em cabeça de cavalo – quando na verdade, há sim, muito suor e tentativa de fazer o melhor possível.
Que avaliação você faz desse episódio?
O episódio me parece tolo, muito fermento para pouco bolo, construído por retórica vazia para preencher algo aquém da literatura. Mas como não vivo de politicagem literária – embora conheça tantas – continuo com minha postura de nem dar muita atenção e continuar com a consciência tranquila.
Dica de Blog
Indico visita ao Blog da amiga poetisa Mirtes Waleska. Mirtes é de Boqueirão e coordenou a I FLIBO.
Visitem: http://coletivoculturalpb.blogspot.com/
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