quarta-feira, 21 de março de 2012

Lau Siqueira, eu e o dia Mundial da poesia

Bom dia passageiros e passageiras,

hoje peço licença para celebrar o dia de meu aniversário, o dia do aniversário do poeta e amigo Lau Siqueira e o dia mundial da poesia.

Desejo saúde, paz e poesia para mim, Lau e para o mundo.

E para celebrar melhor, segue poema de Lau e outro meu, respectivamente.


éter no espanto

na calçada
passos despidos
de caminho


sombra noturna
sem identidade


a vida sobre o mangue
afunda nas geometrias
do abandono

todo dia
estanco minhas lágrimas
na memória do silêncio

(poema vermelho)



Despedida
Para Vanildo Brito

I

O poeta partiu,
Partiu inteiro,
Afogou-se nos poemas
que navegavam-lhe
o Tinteiro.

II

O poeta partiu,
Virou barco,
Versos à vela
iluminam-lhe
os passos.

III

O poeta partiu,
Fez-se mito,
Paira sobre o Mar
a banhar-se de infinito.

terça-feira, 20 de março de 2012

Publique aquele livro guardado na gaveta ou arquivado no computador sem gastar

 

Publique seu livro sem gastar nada com isso. (Foto: Thinkstock)Se você tem um romance que nunca saiu da gaveta, um trabalho de conclusão de curso esquecido na biblioteca da faculdade ou uma coletânea de poesias arquivada no computador porque sempre faltou dinheiro para publicá-los, chegou a hora de transformá-los em livros e colocá-los à venda sem precisar gastar um centavo por isso.


Inspirado nos sites estrangeiros lulu.com e bubok.com, o portal PerSe auxilia autores independentes a publicarem gratuitamente seus livros, direto pela Internet, sem intermediação. Depois que o livro estiver pronto, o autor define quanto quer ganhar de royalties e pode colocar a versão impressa e o eBooks à venda na livraria eletrônica do PerSe, que também tem parceria com outras seis lojas online (Distribuidora Xeriph, Nuvem de Livros, iba, Livraria Cultura, Amazon e Google Books).

A remuneração do PerSe é 25% do valor que o autor definir como “sua remuneração”, com um piso mínimo de R$1,00. O diretor-geral da PerSe, Antonio Hércules Junior, comemora o sucesso do portal, que foi inaugurado em maio do ano passado e já soma 350 livros publicados. “A demanda só tem aumentado. Em fevereiro, por exemplo, publicamos 50 obras”.

 

Capa do livro 'Pra Vida Toda'. (Foto: Divulgação) 

Para Fernanda Meireles, que tem dois romances publicados pela PerSe (“Vida Após o Amor” e “Pra Vida Toda”), canais de publicação independente como esse são fundamentais aos autores que buscam uma oportunidade no meio editorial. “Começar é sempre o mais difícil, ainda mais quando temos que provar nosso valor não só aos futuros leitores, mas principalmente às editoras. As recusas e descrenças são inevitáveis e muitas vezes desestimulantes”, desabafa.

Dos cinco livros publicados por Donnefar Skedar, quatro deles estão disponíveis na PerSe: “Terror Mental”, “Kristendat City - O Orbetite”, “14” e “O Horror da Minha Mente”. “Descobri o PerSe através de pesquisas sobre sites que faziam publicação gratuita de livros em vários formatos e que utilizavam vários tipos de papéis”, conta o escritor independente. “É indiferente dizer se lucro muito ou pouco com os livros. O importante é publicá-los, ver a satisfação de quem os compra, a qualidade do material e o retorno que vem com nosso próprio suor. Acho que é essa é a melhor forma para quem quer ter seu próprio negócio ou para quem não consegue chegar nem na metade do caminho de ser um escritor famoso”, acrescenta.

Um dos pontos mais importantes desse processo para João Calazans, autor de “Dúvidas & Desejos”, é não ficar dependente de nenhuma editora e se beneficiar com a gratuidade do serviço, mesmo motivo que chamou a atenção da psicóloga e escritora Regina Araújo. “Estava muito descontente com vários orçamentos e acabei engavetando várias obras, até receber resultados positivos de vários concursos que tinha participado. Foi aí que decidi encontrar outra editora e descobri a PerSe. “Hoje, já consegui vender meus livros até em Portugal, Espanha e Suíça”.

Os direitos sobre a obra ficam exclusivamente com o autor e ainda existe a possibilidade de disponibilizar a versão eletrônica, o eBook, para download gratuito. “Para mim, este tipo de publicação é uma das melhores formas de se construir uma cultura digital e de levar os livros a inúmeros lugares, que antes não se poderia alcançar. Fiquei feliz ao ver meu livro sendo vendido no Amazon e ainda mais feliz quando os livros impressos chegaram aqui em casa e vi que a qualidade gráfica também é boa”, comenta Patrick Raymundo de Moraes, autor de mais de 31 livros.

"Eu acho que esse estímulo, essa divulgação e a projeção do livro pela PerSe passa a ser mútuo: somos parceiros em prol da leitura e da divulgação de pessoas que querem ser reconhecidas valendo-se das letras(que não são completamente digitalizadas). São também folheadas", comenta Geórgia Freitas, autora de "Morgan, a Sacerdotisa Atlante".

Passo a passo para publicação
  • Crie uma identificação para o seu livro: título, nome do autor, categorias, palavras-chave para buscas, edição, sinopse, entre outros;
  • Defina as caraterísticas físicas do seu livro: formato, acabamento, papel do miolo e se a impressão será feita em cores ou preto e banco;
  • Monte o conteúdo do seu livro: suba o arquivo para o sistema do PerSe e utilize-o para criar e produzir a capa do seu livro;
  • Defina o preço de venda do seu livro: você estabelece quanto quer receber por livro vendido e o sistema calcula o preço de venda;
  • Você escolhe também se quer vender o seu livro impresso, eletrônico (eBook), ou os dois;
  • Caso você queira ajuda para editar, revisar, lançar e divulgar o livro, o PerSe oferece uma série de serviços adicionais de publicação e marketing com um valor adicional.

segunda-feira, 19 de março de 2012

Poemas para crianças podem ser lúdicos, lindos e ainda deixar os pequenos mais sensíveis à leitura do mundo, como defende o Prof. Hélder Pinheiro

Texto Cynthia Costa

A poesia é um gênero quase natural para a infância. Ao contrário do que possamos imaginar, metáforas e estruturas heterodoxas não são difíceis para as crianças. O que são poemas, afinal, senão brincadeiras com palavras e sentidos? A seguir, o professor Hélder Pinheiro defende a leitura constante de poesia com os pequenos, na escola e em casa: "Os professores e a família têm um papel fundamental: cultivar a leitura e a audição de poesia, se possível, todos os dias. Por que gostamos de música? Porque a ouvimos cotidianamente". Especialista em literatura brasileira e, especificamente, poesia, Pinheiro concedeu uma entrevista exclusiva ao Educar sobre a importância desse gênero para as crianças.

Hélder Pinheiro é doutor em literatura brasileira pela Universidade de São Paulo e pós-doutor pela Universidade Federal de Minas Gerais. Ensina literatura brasileira na Universidade Federal de Campina Grande (PB) e já publicou diversos livros e artigos sobre poesia. Entre eles, escreveu "Poesia na Sala de Aula" (Editora Ideia) e organizou "Poemas para crianças: reflexões, experiências e sugestões" (Editora Livraria Duas Cidades) e a coletânea "Pássaros e bichos na voz de poetas populares", que é altamente recomendada pela Fundação Nacional do Livro Infantil.

Para ler, clique nos itens abaixo:

A poesia é um gênero literário menos disseminado? Por que?
 
É preciso desenvolver uma sensibilidade específica para ler poesia?
 
Para a criança, qual é a diferença entre a leitura de poesia e a de prosa?
 
A poesia para crianças tem uma característica específica?
 
A leitura de poesia desde a infância pode influenciar positivamente o desenvolvimento da sensibilidade estética?
 
Quais grandes autores brasileiros escreveram poemas para crianças?
 
Quais autores se destacam hoje na produção de poesia infantil no Brasil?
 
Pais e professores podem colocar as crianças em contato com a obra poética de grandes autores não necessariamente voltados para o público infantil, como Fernando Pessoa, Manuel Bandeira e Carlos Drummond de Andrade?
 
O senhor poderia citar seus autores e poemas favoritos para crianças?
 
do blog: http://educarparacrescer.abril.com.br/index.shtml

domingo, 18 de março de 2012

Dia Nacional da poesia por Juca Pontes

 Muitas e muitas vivas ao dia da poesia. Viva a Antônio David e Linaldo Guedes, poetas da imagem. Viva à extraordinária paisagem percebida no Varadouro de Políbio Alves. Viva ao concerto lírico de Sérgio de Castro Pinto e ao conceito crítico de Hildeberto Barbosa Filho. Viva ao fazer literário de Elizabeth Marinheiro, bem acompanhado pela presença de Molina Ribeiro e pela imensa poesia de Raymundo Asfora e Figueiredo Agra. Pelos intensos versos de Jomar Souto, Marcos Tavares, Otávio Sitônio Pinto, Vanildo Brito, José Nêumanne, Bráulio Tavares, Ronaldo Monte, Arlan de Souza Lopes, José Leite Guerra e Luiz Fernandes da Silva. Viva à poeticidade de Jomard Muniz de Britto, à poesia atonal de Wills Leal e ao estado poético de W. J. Solha. E o que dizer das canções de Carlos Aranha e da veia poética de Walter Galvão e Mr. K? Viva às garatujas de José Antônio Assunção, Antônio Morais de Carvalho, Marcos e Jakson Agra. À terna e eterna lembrança de Violeta Formiga. Viva a Eulajose Dias de Araújo, poeta barbeiro que nunca teve idade. Às iluminuras de Ariano Suassuna e Jurandy Moura ou à poesia de verdade expressa nas veias de Zé Maria Andrade. Ao solo fértil revelado pela verve de Astier Basílio, Antônio Mariano, Vitória Lima, Ricardo Anísio, Lau Siqueira, André Ricardo Aguiar, Tavinho Teixeira, Bruno Gaudêncio e Ed Porto. Ao ofício que revela os gestos poéticos de André Cananéa, William Costa, Renato Félix, Silvio Osias, Agnaldo Almeida, Nonato Guedes, Antônio Vicente, Antônio Hilberto, Marcos Tenório, Fernando Moura e Petrônio Souto. Aos achados da infância de Águia Mendes, Mayana Neiva e Jairo Cézar, traduzidos com sensibilidade e leveza para a felicidade dos adultos. Viva aos 80 anos bem vividos pelos escritos de Adylla Rabello e sua culinária com sabor de poesia. Aos haikais de Saulo Mendonça e ao inverno invisível de Chico Lino Filho. Viva a Lúcio Lins, a poesia em pessoa. Viva a sincera composição de Pedro Osmar e a íntegra percussão de Escurinho. A Odir Cunha Lima, pelo poeta que nele habita. Ao texto publicitário de Alberto Arcela, a todo o tempo oscilando entre a razão e a emoção. Ao texto digitalizado em poesia por Martinho Sampaio ou a revisão ofertada com desvelo por Afonso Horácio Leite. Viva à magia da fotografia de Gustavo Moura, Guy Joseph, Cácio Murilo, José Neiva, Machado Bittencourt, João Lobo, Roberto Coura, Antônio Augusto Fontes e Walter Carvalho. Viva ao desenho iluminado de Flávio Tavares, aos preciosos pincéis de Alberto Lacet, à geometria conceitual de Raul Córdula, às expressivas figuras de Fred Svendsen e ao universo criativo de Tônio. Viva ao exercício gráfico de Milton Nóbrega, a exemplo do olhar apurado de Paulo Gustavo e Cícero Félix. À arte e à charge de Gilton Lira e Regis Soares. E será que o portfólio de Syllas Mariz também não diz da sua poesia? Viva à verde vida de Marlene Almeida e ao firme conceito de José Rufino. À poesia naïf de Clóvis Júnior e às mágicas e seguras linhas de Chico Ferreira. Viva ao rico diálogo com a poesia revelado na crônica de Gonzaga Rodrigues, Luiz Augusto Crispim e Martinho Moreira Franco. Ao texto irretocável e bem-aventurado de Ângela Bezerra de Castro. Viva ao cinema novo de Linduarte Noronha, com seu formidável roteiro de Aruanda. À linguagem poética no cinema de Vladimir Carvalho ou no olhar cinematográfico de Alex Santos, Durval Leal, Marcus Vilar, Pedro Nunes e Torquato Joel. Viva às histórias contadas com poesia pelo folclore de José Nilton e Altimar Pimentel ou cantadas pela alma abençoada de Zabé da Loca. Ao feijão amigo servido com poesia pelo fazedor de amigos Onaldo Mendes. À toda força poética de Neno Rabello, de semana à semana. Viva à paraibanidade poética de Paulo Pontes ou ao teatro versado de Luiz Carlos Vasconcelos, Everaldo Pontes, Buda Lira, Zezita Matos, Paulo Vieira, Elpídio Navarro, Nanego Lira, Eliézer Filho, Ubiratan de Assis, Marcélia Cartaxo, Fernando Teixeira, José Bezerra Filho, Soia Lira e Ednaldo do Egypto. Viva à musicalidade que reina aos pés de Stela Paula e Tatiana Rangel. Ao edificar poético de Carlos César, Naná Garcez e Victor Almeida. Viva à poesia sertaneja do severino Luiz Nunes e ao cordel encantado de Oliveira de Panelas. Viva à poesia universal de Pedro Américo e Tomás Santa Rosa ou ao regionalismo ficcional de José Lins do Rego, José Américo de Almeida e Simeão Leal. Viva a Adalberto Barreto, Nathanael Alves e Antônio Barreto Neto, também exemplos imortais de universalidade. Não menos à ficção carregada de poesia e a todos ofertada pelos originais de Aldo Lopes, Marília Carneiro Arnaud, Carlos Tavares, Mercedes Pessoa Cavalcanti, Wellington Pereira e Maria Valéria Rezende. Viva à magistral poesia de Vital Farias e aos cantáteis poéticos de Chico César. Viva ao poeta do Avohai, Zé Ramalho. Ao sensível dedilhar de Canhoto da Paraíba ou aos armoriais acordes de Samuel Espinoza e o Quinteto da Paraíba. Viva à cantriz Elba Ramalho. Às sanfonas de Flávio José e de Antônio Barros e Cecéu. Viva à poesia sensual de Renata Arruda. À alegre poesia de Jussara Florentino. À poesia com o humor de Nairon Barreto, Cristovam Tadeu e Piancó em homegagem a Shaolin. Viva à beleza da poesia feminina de Fernanda Queiroga. Viva à verdadeira poesia de Patrícia e Gerardo Rabello: Luíza. Porque também há traços de poesia na bela arquitetura assinada por Sandra Moura. Por fim, viva aos anjos de Augusto e aos olhares poéticos de Socorro Aragão voltados para o centenário do EU. Viva à grandiosa figura de Raimundo Nonato Batista, que fez da poesia a sua forma de ser e a sua fonte de viver. E mais do que tudo, viva ao azul do mar infinito do nosso poeta Ronaldo Cunha Lima, com seu coração permanentemente tomado de poesia. Viva a todos os poetas do mundo inteiro.


Aquele abraço

 Juca Pontes

sábado, 17 de março de 2012

REBOSTEIO especial HQ

Caros amigos e leirores,

Nesta primeira edição especial, a revista digital REBOSTEIO presta uma homenagem a esta arte tão pouco valorizada, mas que vai além do simples entretenimento, trazendo novos quadrinistas brasileiros e também prestando tributo aos grandes nomes que souberam levar o quadrinho além do passatempo infanto-juvenil.

Entre no link e folheie, compartilhe, divulgue! É produção independente, é de graça, é impagável...

Vamos lá, rebosteie mais Arte nessa merda-toda!


LINK PARA LEITURA: http://issuu.com/rebosteiodigital/docs/rebosteio_especial_quadrinhos



Axé a todos!


Willian Delarte
http://williandelarte.blogspot.com/

sexta-feira, 16 de março de 2012

20 anos de O Cancer no Pêssego

           
2012 é o ano que marca duas décadas da publicação de um dos melhores livros de poemas escritos no Brasil. O Câncer no Pêssego, que saiu com selo da Editora Ideia, em 1992. O Ônibus traz para os passageiros, um poema do grande José Antônio Assunção. Um poeta que merecia mais, muito mais em termos de reconhecimento.









            O Vínculo

Essa velha cadeira desgarrada
do quanto pra ela foi talher e exílio;
essa velha cadeira de espaldar esguio
de onde a noite (todo pai é um abismo)
contemplo o rosto de meu filho;
essa velha cadeira rúnica
a quem não me doeu acrescentar um signo;
essa velha cadeira (nunca a destruam)
comprei por um reles rútilo níquel
numa loja de móveis usados
onde ela jazia estúpida,
perdido o vinculo.

quinta-feira, 15 de março de 2012

Poeta cordelista Fábio Mozart vira vocábulo de dicionário

O poeta Rui Vieira estará lançando o “Dicionário temático da poesia popular do Nordeste” no dia 16 de março (sexta-feira), às 19,30h no Restaurante Mororó, em Campina Grande. O dicionário contém mais de mil temas poéticos, mais de três mil estrofes e amostras poéticas de mais de 400 poetas e cantadores, entre os quais o cordelista Fábio Mozart, de Itabaiana, autor do folheto “História de Biu Pacatuba, um herói do povo paraibano”, ganhador do Prêmio Patativa do Assaré de Literatura de Cordel promovido pelo Ministério da Cultura, o mesmo que patrocinou o dicionário de Rui.
Rui Vieira é natural de Remígio, radicado em Campina Grande desde a década de 50, funcionário aposentado do Banco do Brasil, jornalista, escritor, pesquisador da literatura popular e membro da Associação Campinense de Imprensa.
O trabalho de Rui Vieira é considerado de muita valia para pesquisadores da poesia popular nordestina. Um dos maiores nomes da literatura de cordel, o poeta cordelista Paulo Nunes Batista, que nasceu em João Pessoa em 1924, teve seus textos poéticos traduzidos até para o japonês, com seu nome citado na Grande Enciclopédia Delta Larousse. Foi ele o autor do folheto “As proezas de João Grilo”, que inspirou Ariano Suassuna para escrever a peça “A Compadecida”. Esse é um dos mais de quatrocentos poetas citados na obra de Rui Vieira.