quarta-feira, 31 de julho de 2013
segunda-feira, 29 de julho de 2013
Leo Barbosa lança livro em João Pessoa
O escritor, poeta e professor
Leo Barbosa lançará no próximo dia 03 de agosto o livro “Lutos diários” (Patuá,
2013) na Estação das Artes (anexo a Estação Ciência, Cabo Branco) às 18h. O
livro é divido em duas partes. Na primeira, que dá nome ao livro, situa-se um
longo poema que, segundo Chico Viana, que assina o prefácio da obra, “responde
à necessidade que tem o autor de questionar e entender o mundo, mas sobretudo
de suportá-lo. Ele busca uma harmonia do eu consigo mesmo e acaba deixando
evidente o combate entre esses dois estranhos. “Fui ao encontro de mim/ Ou fui
de encontro a mim?” - pergunta-se o poeta, ciente de que é impossível responder
a essa questão." A segunda parte é intitulada “Lutas diárias”, composta por
vinte poemas. A obra será apresentada pelo professor e poeta Amador Ribeiro
Neto no dia do lançamento. O evento será coordenado pelo cerimonialista e
jornalista Aldo Schueler. O livro já está disponível no site da editora http://www.editorapatua.com.br/index.php?option=com_content&view=article&id=188
quinta-feira, 25 de julho de 2013
“Visita à baleia”: um entrecruzar de prosa e poesia
Neide
Medeiros Santos – Crítica literária FNLIJ/PB
Nos romances como Moby Dick e O Velho e o
Mar
ou na história de Jonas
o animal é algo nobre
e a vida
- é um duelo par-a-par.
(Affonso Romano de
Sant´Anna. A morte da baleia).
O ensaio do jornalista Fernando Moura sobre o poema de
Affonso Romano de Sant´Anna – “A morte da baleia”, publicado no “Correio das
Artes” maio de 2013, Ano LXIV, No. 3 p. 4-16, nos levou ao encontro do livro
infantil de Paulo Venturelli – “Visita à baleia” (Ed. Positivo, 2012), com
ilustrações de Nelson Cruz. Os textos são bem distintos, mas o personagem é o
mesmo – a baleia.
Se no poema de Affonso Romano de Sant´Anna a denúncia
aflora nos versos, na prosa poética de Paulo Venturelli é o encantamento que
este animal desperta na mente das crianças. Com “Visita à baleia”, Paulo Venturelli ganhou
o Prêmio de Melhor Livro Infantil da FNLIJ em 2013 e a ilustração de Nelson
Cruz foi Hors-Concours do Prêmio de Ilustração pela mesma Fundação.
O espaço escolhido para a história é a cidade de Brusque,
interior de Santa Catarina, não banhada pelo mar. Assim, quando o pai chegou
com a notícia em casa de que havia uma baleia no centro da cidade, a mãe e os
dois filhos ficaram com “os olhos arregalados até não mais poder” (2012: p.9).
E veio o convite-ordem:
“Vamos, vamos, Se aprontem que a gente vai até lá ver o
bicho”. (p.9)
A mãe não acreditou em nenhum momento nessa história e
dizia que era impossível aparecer uma baleia em uma cidade que não tinha mar,
mas o pai e os meninos estavam curiosos para ver a baleia. Com roupa
domingueira, partiram os três em direção ao centro. De bicicleta, seguiram para
a grande festa. O pai no meio, o caçula na frente e o mais velho no bagageiro. A mãe ficou em casa resmungando e duvidando da
veracidade da história.
O caminho da casa até o centro da cidade era acidentado,
cheio de ladeiras e o menino mais velho, o narrador da história, fez muitas
perguntas ao pai sobre a baleia, mas só encontrou respostas evasivas – a única
coisa que ele sabia era que existia uma baleia no centro da cidade e que os
colegas da fábrica estavam indo com a família para ver.
Quando chegaram à praça, o menino viu a multidão e se
arrependeu de ter vindo, poderia ter ficado em casa com a mãe, brincando com o
Beto, era muito mais vantagem. Para piorar a situação, havia uma fila enooorme
e que não caminhava, parecia que estava parada. O desconforto da espera piorou quando o irmão
menor começou a pedir “chovete” e ameaçava um choro para conseguir o que
queria, mas o pai só pensava em ver a baleia e repetia: “Depois. Depois o pai
compra.” (p.28).
Enquanto esperava pelo momento ambicionado, o menino mais
velho começou a relembrar fatos passados. Certa vez foi com o pai a um circo
que apareceu na cidade. Pagaram ingresso para ver a “mulher barbuda”. Todos
deviam passar bem depressa diante da mulher barbuda, o pai não gostou do engodo
e gritou feio:
“Cadê a lazarenta da barbuda? Aí no escuro, bem que pode
ser homem. Bem que pode ser uma idiota com barba postiça” (p.32). Veio a
pessoal do circo acalmar o homem que estava furioso. O menino sentiu-se
envergonhado diante do escândalo do pai. Será que ele ia fazer o mesmo diante
da baleia?
A surpresa da história fica para o leitor do livro. Não
quero desvendar o mistério que envolve a baleia. Seria uma baleia viva ou
morta? Só lendo o livro para saber.
No dia seguinte, quando foi à escola, a professora deu
este tema para a composição:
“Uma árvore frutífera”. O menino arriscou e
perguntou à Dona Deolinda: “Posso fazer sobre a baleia?” (p.50). A professora
não titubeou: “Deixa de ser bobo, menino. Escreva o que eu mandei”. (p. 50)
O menino vai obedecer à ordem da professora? É outro
segredo que está escondido no livro.
“Visita à baleia”
é rico de imagens literárias, de devaneios, de entrecruzar de pensamentos, de
linguagem coloquial bem descontraída. Aliado a tudo isso, destacam-se as ilustrações
de Nelson Cruz - sombrias, ternas, extravagantes, algumas minúsculas, outras
grandiosas. Contrastando com o preto de
muitas páginas, aparece o azul celeste do céu e do carro “rabo de peixe” do
doutor Nica.
A respeito deste livro, o ilustrador Nelson Cruz assim se
expressou: “Este livro Visita à baleia, do
Paulo Venturelli, me concedeu o dom da invisibilidade. Explico. A maneira de
narrar a história, como uma conversa ao pé do fogão, me envolveu desde o
princípio. [...] Numa inversão, os personagens tornaram-se vivos e eu,
invisível, acompanhei cena por cena até o desfecho e a lágrima final, que me
trouxe de volta à realidade.” (Orelha do livro Visita á baleia).
Tivemos a oportunidade de assistir, no 15º. Salão do
Livro, Paulo Venturelli contar a história da baleia para crianças de escolas
municipais e Nelson Cruz desenhá-la. As
crianças, muito atentas, pareciam não querer perder um só momento dessa
aventurosa história.
quarta-feira, 24 de julho de 2013
PROGRAMAÇÃO DO "SESC DE LETRAS", João Pessoa-PB
OFICINAS
VÍDEO LITERÁRIO
Ministrante: Carlos Dowling
Professor de Cinema da UFPB e Cineasta
Data: 30/07 a 02/08
Horário: 15 às 17 horas
Local: Auditório do Sesc – Centro
ILUSTRAÇÃO - ESSA OUTRA AUTORIA
Ministrante: Izaac Brito
Ilustrador e Cartunista
Data: 30 e 31/07
Horário: 09 às 12 horas
Local: Auditório do Sesc - Centro
CONTO
Ministrante: Archidy Picado Filho
Contista, Poeta e Artista Visual
Data: 30/07 a 02/08
Horário: 17 às 19 horas
Local: Auditório do Sesc - Centro
ANIMAÇÃO LITERÁRIA PARA EDUCADORES
e demais públicos afins
Ministrante: Elba Góes
Arte-educadora e Atriz
Data: 30/07 a 02/08
Horário: 15 às 17 horas
Local: Auditório do Sesc - Centro
RODAS DE CONVERSA
Com Lau Siqueira
Blogueiro, Poeta, Animador Cultural
Tema: Edição Digital e outras ideias para agilizar a difusão literária
Data: 30/07
Horário: 19h30
Local: Auditório do Sesc - Centro
Com Marcel Vieira
Professor da UFPB
Tema: Shakespeare ao alcance da maioria
Data: 31/07
Horário: 19h30
Local: Auditório do Sesc - Centro
Com Thardelly Lima
Arte-educador e Ator
Tema: A Literatura influenciando outras artes
Data: 01/08
Horário: 19h30
Local: Auditório do Sesc - Centro
Com José Leite Guerra
Escritor
Tema: Literatura e Fé - uma leitura laica a respeito do Novo Testamento
Data: 02/08
Horário: 19h30
Local: Auditório do Sesc - Centro
O Sesc Centro fica localizado à Rua Desembargador Souto Maior, 281
Centro, João Pessoa - PB.
Mais informações podem ser obtidas pelos telefones (83) 3208-3158 e (83) 9996-0183.
segunda-feira, 22 de julho de 2013
sexta-feira, 19 de julho de 2013
Encontro das Traças
O Encontro das Traças é um evento que vem adquirindo uma demanda; a troca de livros. Sendo assim, um movimento que semeia mais leituras. Esse evento, em sua segunda edição, será no próximo sábado, dia 20 de julho, a partir das 17h30, e terá como lugar de encontro um bar cultural, o Bar do Elvis, que fica localizado no bairro do Castelo Branco, local de troca de experiências acadêmicas, e já conhecido da sociedade por sediar lançamentos, shows, recitais, para receber os seus convidados.
quinta-feira, 18 de julho de 2013
TATIANA BELINKY – “Sherazade das mil e uma histórias”
Por Neide Medeiros Santos –
Crítica literária - FNLIJ/PB
Capitu que me
desculpe, mas a Emília é a maior heroína literária brasileira.
(Tatiana Belinky)
Tatiana Belinky nasceu em São Petersburgo, na Rússia, em
1919. Quando completou um ano, a família
se mudou para Letônia e por lá viveu até os dez anos. Em 1929, a família veio para
o Brasil e a viagem de navio até o Rio de Janeiro (foram 21 dias de viagem)
pareceu para aquela menina de 10 anos uma aventura semelhante às histórias que
seu pai contava de longas viagens de navios, de guerras.
O pai era um ator na arte de contar histórias, ele fazia
uma voz diferente para cada personagem e foi ouvindo histórias contadas pelo
pai que despertou na filha o gosto pelos livros. O desembarque foi no Rio de
Janeiro, mas com poucos dias a família se transferiu para São Paulo e lá se
fixou.
Há um fato interessante na vida da estudante Tatiana
Belinky. No colégio que estudou logo que chegou a São Paulo, as colegas riam
por conta do seu sotaque estrangeiro e pela troca de palavras. Como não
dominava bem a língua portuguesa, trocava palavras. O que fez a menina? Passou
a estudar muito português e virou a melhor aluna de português da classe.
Bendita vingança!
Quando jovem, trabalhou como tradutora bilíngue,
datilógrafa, só alguns anos mais tarde despertou para a literatura infantil.
Casou com o médico e ator Júlio Gouveia, juntos montaram peças de teatro e
fizeram a adaptação do Sítio do Picapau Amarelo para a TV Tupi de São Paulo.
No livro autobiográfico, “Acontecências”, Tatiana
transcreve inúmeros poemas de Júlio para sua amada. Aqui estão algumas dessas
incursões poéticas do noivo:
“Ofereço-te a fachada
De um cantor tolo e pateta:
Fez uma bruta “cantada”
Numa Canção Indiscreta.”
***
“De cantar, só, no meu canto
Já estou a desencantar;
Pro canto ter mais encanto
Contigo quero cantar.”
Esses poemas, endereçados à futura esposa, vinham sempre acompanhados
de uma fotografia do autor dos versos.
O interesse de Tatiana pela literatura infantil começou
com o trabalho de adaptação da obra de Lobato para a TV. Seus livros infantis
vêm marcados pelo humor, pelo tom de brincadeira. Inaugurou a série de
“limeriques”, poemas de cinco versos, geralmente sobre coisas engraçadas.
“A operação de tio
Onofre” é um dos seus livros mais vendidos, já alcançou inúmeras edições. Com
“Os dez sacizinhos”, Tatiana Belinky ganhou o prêmio de Melhor Livro Infantil em
1999, esse mesmo livro recebeu o Prêmio
de Melhor Ilustração Infantil. Vários
outros livros da autora receberam o selo “Altamente Recomendável” da FNLIJ.
Em 2008, publicou “Limeriques da Cocanha” (Companhia das
Letrinhas) com ilustrações bem jocosas de Jean-Claude Alphen.
A Cocanha é um país imaginário, é o “São Saruê”, de
Manoel Camilo dos Santos, mas este país imaginário de que nos fala Tatiana é
bem anterior a São Saruê. Em nota explicativa, a autora nos diz que este país
nasceu na fantasia de um anônimo poeta francês em plena Idade Média, lá pelos
séculos XII ou XIII.
Cocanha era uma terra de permanente felicidade, só
existia lazer e ociosidade. Não havia ricos nem pobres, a comida já vinha
pronta à mesa e fome lá também não existia.
Vejam o primeiro limerique que descreve Cocanha:
“ Na Cocanha a sociedade
Vive em total liberdade –
Lá ninguém trabalha
(trabalho atrapalha...),
Lá tudo é só felicidade.”
Tatiana se foi, mas ficaram seus livros, limeriques, os
contos russos traduzidos para português e um rico universo de livros infantis
que a autora deixou para seus leitores.
Heloísa Prieto, escritora e estudiosa da obra de Tatiana
Belinky, considera que ela é a nossa “Sherazade das mil e uma histórias”,
aquela que é capaz de manter viva a poesia da criança.
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