segunda-feira, 11 de março de 2013

Little Free Library…



Little Free Library Lawerence Kansas. white with red interior
I first saw these on Facebook in the form of utilizing unused phone booths in England. Not long after that, probably because they had now been brought to my attention, I came across another photo of a Little Library in Lawerence, Kansas. –>

This little gem of an idea will not let me go.
I love the whole concept of it… not to mention the cuteness factor. How could anyone not want to read a book from a little house? Okay, my grandkiddos who refused to read this summer ~Weasy, a straight A student, has read 10% of a book in the last three months.~ may be able to resist. However, I know I could never pass by one without a peek inside.
Now I find out there is a Little Free Library Organization complete with website. Click on the link for a trip over there and you will find the mission statement ~ they have goals and they are noble and good. ~ a gallery section filled with creative little buildings plus a map link to find Little Free Libraries around the world. This is where I found we have a need in my area.
If I had been aware of this idea while teaching I would have never had a classroom without one. But that was then and this is now… And as I think about creating one of my own I have run into a road block… I’d have to release some of my books from my white knuckle grip. I’m going to have to get better at sharing.
National Library Week put your face in a book billboard

quinta-feira, 7 de março de 2013

Especialistas pregam diversidade em congresso de literatura infantojuvenil

Aryane Cararo, de O Estado de S. Paulo
Andruetto ganhou o último 'Nobel' de Literatura Infantojuvenil - Aryane Cararo/Estadão
Aryane Cararo/Estadão
Andruetto ganhou o último 'Nobel' de Literatura Infantojuvenil
BOGOTÁ - A resistência ao funcionalismo e utilitarismo na literatura infantojuvenil e as tendências da ilustração na América Latina, e sua tentativa de fugir do estereótipo de uma estética visual colorida e exótica, foram alguns dos temas discutidos nesta quarta-feira, 6, na abertura do 2.º Congresso Iberoamericano de Língua e Literatura Infantojuvenil, que vai até o dia 9 na Colômbia. O evento, que é realizado pela Fundação SM, reúne cerca de 600 escritores, ilustradores, pesquisadores, editores e educadores e pretende debater os caminhos da língua, leitura e literatura entre as crianças.
Talvez a primeira pergunta a ser feita, neste sentido, seja o que é preciso para ter uma boa literatura infantojuvenil. “Quanto mais diversidade e profundidade tentamos, um melhor leitor teremos”, disse a escritora argentina Maria Teresa Andruetto, prêmio Hans Christian Andersen 2012, o “pequeno Nobel” da Literatura. Ela criticou duramente o utilitarismo, o tecnicismo e a funcionalidade da literatura infantojuvenil, bem como as demandas do mercado editorial que tornam a oferta de livros homogênea e restrita a certos assuntos. “A intensidade da literatura nos permite diferenciá-la de todas as outras funções utilitárias e é o que lhe dá capacidade de ficar entre nós, de resistir ao tempo.”
A diversidade não é um problema quando se trata da produção entre os ilustradores latino-americanos, muito embora paire ainda o preconceito de que aqui só se faz uma arte colorida e exótica. “A diversidade é nossa real identidade, ou seja, nos caracterizamos por ter uma identidade que não é identidade segundo o pensamento europeu”, disse o crítico literário venezuelano Fanuel H. Díaz, que estuda a ilustração dos livros infantojuvenis há 14 anos. Segundo ele, nos últimos dez anos “a imagem tem cada vez mais um inegável protagonismo” e há muita diversidade na produção, mas algumas características podem ser apontadas como tendências entre os ilustradores latinos: a estética europeizada, especialmente nos contos de fadas, e aquela baseada do mundo dos desenhos animados da televisão. “Olhamos ainda mais para fora do que para dentro. Há uma certa vergonha, até porque a estética popular é apontada como pobre. Sentimos que nossa estética não é tão valiosa frente a que se impõe no mercado.”
Díaz também aponta outras caraterísticas cada vez mais presentes, como a das figuras delicadas, com fundo incolor e imagens monocromáticas, a exemplo dos trabalhos de Alba Marina Rivera (nascida na Rússia, mas criada em Cuba) e do colombiano Alekos; o aspecto tridimensional; a tipografia como parte da ilustração; o uso do papel recortado até como técnica para criar volume; a metáfora visual, com influências do surrealismo, como alguns trabalhos do brasileiro André Neves; e uma certa convivência de discursos, como a colagem associada à fotografia. “Há também uma tendência ao mangá, ao desenho com características do grafite e às estéticas periféricas, como a indígena, a afro-descendente, a popular e a marginal.”
Entre os ilustradores latinos que têm apresentado trabalhos diferentes, ele cita os brasileiros Angela Lago, pelo bom manejo com as cores, Ciça Fittipaldi, com influência na cultura primitiva indígena e negra, e Roger Mello, um “artista da pós-modernidade”, além da chilena Paloma Valdivia (autora de É Assim, pela Edições SM), com sua mistura de influências indígena e catalã; da já citada Alba Marina Rivera; da argentina Isol (que ilustrou Pantufa de Cachorrinho, pela Autêntica) e seu experimentalismo; da venezuelana Menena Cottin (ilustradora de O Livro Negro das Cores, pela Pallas, também apontado por Díaz como um bom exemplo de livro digital) com seu abstracionismo geométrico; e do mexicano Fabricio Vanden Broeck.
A ilustração também foi alvo de mesa-redonda da qual participou o brasiliense Roger Mello, que discutia a literatura infantojuvenil e o universo emocional das crianças e jovens. O dia teve ainda palestra da antropóloga francesa Michèle Petit, que falou sobre as novas composições familiares e o individualismo crescente, bem como sobre a importância de apresentar os livros e a literatura às crianças, pois permitem explorar os segredos de seus corações. “É preciso apresentar o mundo às crianças pelos livros e ensinar a amá-lo, porque um dia serão elas que vão cuidar dele.”
* A jornalista viajou a convite das Edições SM Brasil

Uma América em cada esquina


Por Lau Siqueira

Na segunda-feira de carnaval eu e o poeta Vamberto Spinelli Jr. participamos de uma mesa do IV Encontro de Literatura Contemporânea promovido pela Revista Blecaute. A mediação foi do poeta e historiador Bruno Gaudêncio. Discutimos os cem anos de solidão dos escritores brasileiros em relação a literatura contemporânea feita nos países americanos de língua espanhola. Desconhecemos os “hermanos” e parece que em troca eles nos ignoram. Mesmo no tempo das velocidades e das redes sociais, mesmo com a irmandade das línguas portuguesa e espanhola “nos miramos com temor”.

Pouco conhecemos do poeta Roberto Sosa (1930), de Honduras. Menos ainda de Luis Alfaro Vega, da Costa Rica. Mas, isso não é tudo. Afora a edição da Cosac&Naif e 7Letras, com tradução do poeta brasileiro Carlito Azevedo e do argentino Anibal Cristobo, também poeta, pouco sabemos de Antonio Cisneros (foto), um dos grandes nomes da poesia da América Latina. Aqui e ali um de nós encontra virtualmente um ou outro poeta de língua espanhola. O uruguaio Martín Palacio Gamboa ou o chileno Leo Lobos entre eles. É como se estivéssemos escondidos uns dos outros. Como se houvesse uma intransponível cerca de linguagens farpadas.

Todavia não é apenas da América Latina que estamos esquecidos. Estamos esquecidos da Paraíba. Poucas pessoas que lidam com literatura no Estado conhecem a obra magnífica de José Antônio Assunção, um dos maiores poetas deste país. Poucos de nós sabemos de Fransued do Vale ou poetas já falecidos como o campinense Jakson Agra, dono de uma poética reveladora das agonias existenciais da nossa geração. Mesmo com as facilidades do Google a maioria sequer sente curiosidade de conhecer a literatura de uma América que se revela em cada esquina. Uma troca que certamente seria maravilhosa para nosotros y para nuestros hermanos.

Resta-nos refletir e buscar estratégias para o enfrentamento da nossa condição de povo vitimizado por um sistema de informações que se consolida na consagração da banalidade. Somos impelidos a consumir uma literatura e uma cultura fast-food. Uma massaroca globalizada e absolutamente sem rosto. Assim, ao invés de Jomard Muniz de Brito, por exemplo, temos uma ampla oferta de Augusto Cury e Paulo Coelho. A ditadura midiática nos empurra contra a parede, sufocando nossa identidade e nos afastando do que afina nossos instrumentos para a compreensão da realidade. Sim, precisamos conhecer a literatura contemporânea dos subúrbios e salões de Buenos Aires, de Bogotá, Quito ou Manágua. Mas, também precisamos de olhos para o que se faz em Boqueirão, Nova Palmeira, Sapé, João Pessoa ou Campina Grande. Sob pena de extraviarmos os melhores dias da nossa história.

quarta-feira, 6 de março de 2013

Futuro da Fundação Casa de Rui Barbosa é posto em xeque

FLORA SÜSSEKIND

COLABORAÇÃO PARA A FOLHA

Declarações recentes do ex-presidente da Fundação Casa de Rui Barbosa reavivam temores sobre o futuro da instituição, que quase foi extinta no governo Collor (1990-92). Pesquisadora da fundação faz balanço dos méritos da Casa Rui e das dificuldades enfrentadas para mantê-la como polo ativo de produção de conhecimento.
*
Uma relação de intimidade mesmo relativa com a vida cultural brasileira moderna e contemporânea já evidenciaria o potencial crítico de que, nela, se revestiu, em momentos significativos, a adoção de perspectiva póstuma.
Seria desse lugar narrativo irônico-tumular que Machado de Assis redefiniria como forma livre, dialógica, ziguezagueante, a prosa de ficção oitocentista em "Memorias Póstumas de Brás Cubas". Seria, igualmente, um diálogo (em constante refiguração) entre o presente e a força das coisas mortas, a presença ativa dessas mortes, que orientaria boa parte da poesia de Drummond.

Seria, também, como um misto de cerimonia fúnebre e de lugar impositivo, violento, de rememoração que se apresentaria uma das mais incisivas realizações contemporâneas, no campo das artes visuais, a exposição "111", de Nuno Ramos, sobre a invasão da Casa de Detenção de São Paulo pela PM em 1992 e a morte de 111 presidiários que dela resultaria.

Seria possível multiplicar a serie mortuária com os cemitérios de João Cabral, os usos do autorretrato como vampiro por Torquato Neto, os esqueletos e ossadas de Ângelo Venosa, o enterro da classe média de Sebastião Nunes ou os epitáfios e autoepitáfios com que se divertiam Sebastião Uchoa Leite, Valêncio Xavier e José Paulo Paes. É deste ultimo, por sinal, um implicante epitáfio de Rui Barbosa, no qual ele funcionaria como antagonista retorico da poética elíptica de Paes.

Nas últimas semanas, não mais o patrono, mas a Fundação Casa de Rui Barbosa como um todo receberia atestado de óbito que, se em direção inversa à dessa série, e sem a sua força crítica, talvez possa ser exposto, por contraste, aqui. Com ênfase em algumas imagens-guia (cemitério, favela) empregadas, sucessivamente, por Emir Sader e Wanderley Guilherme dos Santos.

Não foi a primeira vez. No começo do governo de Fernando Collor de Melo (1990-92), a Casa Rui estava na lista das instituições extintas. A maior parte dos funcionários ouviu, aliás, a notícia da extinção pelo rádio, a caminho do trabalho. Organizou-se uma ocupação da instituição dia e noite, como forma de protesto, contando-se, nesse momento, com a adesão de artistas, músicos, intelectuais, frequentadores dos jardins, mães empurrando carrinhos de bebês, usuários da biblioteca e dos acervos. Houve até, salvo engano, um encantador de cobras que se dispôs a se apresentar, em solidariedade aos funcionários, no auditório da instituição.

Dessa extinção, a fundação escaparia. E ganharia força suficiente para, graças à interlocução do antropólogo Gilberto Velho (1945-2012) e com o apoio dos funcionários, fazer voltar à função de gestor Mário Machado, responsável por um novo concurso para pesquisadores e pela criação de um novo setor, o do estudo das políticas culturais no país, que vem sendo muito bem conduzido, desde então, pela historiadora Lia Calabre.

A segunda morte foi decretada recentemente por Emir Sader em declaração ao jornal "O Globo", no final do mês passado: "Aquilo é um cemitério. Estão há dez anos sem concurso. A última geração está lá sem fazer nada, esperando a aposentadoria". Lembre-se que Sader --que agora nega interesse no posto deixado vago por Wanderley Guilherme dos Santos em janeiro-- chegou a ser indicado para a presidência da fundação no começo do governo Dilma e, depois de uma sucessão de manifestações na imprensa, seria retirado do cargo antes mesmo de assumi-lo de fato.

Há dois anos, revelando total desconhecimento do acervo documental, das bibliotecas e do trabalho realizado na Casa Rui, Sader sugerira a sua transformação num instituto de pesquisas aplicadas (de temática difusa e sem considerar o acervo disponível --e em expansão-- da própria FCRB). Sugestões que receberam críticas duras de todo o conjunto de pesquisadores em atividade então na instituição.
Editoria de Arte/Folhapress

EXERCÍCIO

Nas suas declarações pré-Carnaval, mais do que à FCRB, ou ao seu corpo de funcionários (que, sem concurso há dez anos, multiplicam-se por três, por quatro, e exercem muitas vezes funções que não são absolutamente as suas, do contrário a instituição já estaria fechada), a analogia negativa com um cemitério parece apontar, mais uma vez, para o próprio Sader e para um tipo de intervenção intelectual editorializada, de divulgação --constrangedoramente pouco afeita à pesquisa de fontes primárias e à prática regular da investigação conceitual e ao trabalho material lento, obstinado, paciente, de decifração de manuscritos, de listagem de abonações, de escuta dos vestígios, do outro, dos desacordos e variantes, conjugado à necessidade de refiguração sistemática do próprio método arquivístico ao longo do processo de pesquisa.

Se voltado para a compreensão, intervenção e transformação do presente, o exercício historiográfico --como já observou, belamente, Arlete Farge no seu estudo sobre a experiência do arquivo-- "é, antes de tudo, um encontro com a morte", uma tensão entre "o próximo (muito próximo) e o distante, o defunto", um cuidado reiterado de distinguir o novo no velho, as interferências entre tempos, ritmos, silêncios, delimitações, uma escrita em constante construção e revisão. Nesse sentido, a alusão ao cemitério não escandaliza pesquisadores de fato, afeitos a esse convívio, aos desmentidos e armadilhas que essa matéria velha, esses mortos lhes impõem. E aos exercícios de deslocamento e humildade que esse convívio, esse colocar-se no lugar do morto, necessariamente exigem.

Também parecendo colocar-se em perspectiva aérea, hierárquica ("Eu nunca saí da minha sala. Nunca fiz social"), o ex-presidente da instituição, Wanderley Guilherme dos Santos --em entrevista, já neste mês, também ao jornal "O Globo", que muitos funcionários hesitaram em considerar inteiramente fidedigna--, reiteraria em parte os comentários de Sader.

Não chega a reproduzir a analogia ao campo funéreo, optando, curiosamente, pela imagem da favela, como impressão inicial (negativa) provocada pelo Centro de Pesquisa. E evocando, desse modo, a desordem, a quantidade de papéis, livros, fichas, empilhados em cada mesa, em cada setor. Imagem de desordem e falta de assepsia e estranha repulsa pela geografia urbana das favelas, que entraria em contradição com outra observação, sobre o caráter acomodado, a execução rotineira de suas tarefas pelos funcionários.

"O problema é o conformismo que paira nos servidores", declararia na mesma entrevista. Talvez o que o tenha espantado tenha sido, ao contrário, não um conformismo, mas a capacidade de esses funcionários se manterem em suas funções mesmo nas condições mais adversas, de apresentarem projetos de edição, de seminários, de constituição de um instituto de estudos avançados (em convênio com instituições brasileiras e estrangeiras), ampliando para isso o programa de bolsas, extremamente eficaz, implementado ainda na gestão de Rachel Valença à frente do Centro de Pesquisa, e conduzido por Antônio Herculano Lopes.

TERRA ARRASADA

Foi importante, no entanto, na gestão de Wanderley Guilherme, não se optar por uma política de terra arrasada e ter sido dada continuidade a projetos iniciados na gestão anterior, de José Almino Alencar, como o da compra das casas vizinhas que ampliarão o espaço para os acervos ou como a luta por um concurso para reposição de vagas na fundação.

O que é de estranhar, quando se observa o edital, é o pedido de uma vaga apenas para pesquisador, quando setores que abrigavam 12 pesquisadores regulares contam hoje às vezes com apenas 4, o que dificulta macroprojetos ambiciosos como o do português medieval, o de revisão do pré-modernismo, ou a edição crítica de Drummond, para mencionar apenas três. A indicação de que não se priorizou, num centro de pesquisa, a contratação de pesquisadores não deixa de assustar. E lembrar a possibilidade de a extinção do período Collor estar sendo reavivada talvez surdamente.

Talvez valha a pena sublinhar, nesse sentido, a importância de existirem (também no campo das ciências humanas) centros de pesquisa dotados de relativa autonomia, como tem sido a Casa Rui.

Foi essa autonomia que permitiu à instituição a discussão de questões, gêneros, períodos, autores esquecidos, priorizando o âmbito da historiografia literária num momento em que esse campo estava quase morto nas faculdades de letras. E que proporcionou a variedade e a qualidade de trabalhos sobre o Império e a Primeira

República que vêm sendo realizados pelo setor de história, estudos de história da língua como os conduzidos atualmente por Ivana Bentes e Laura do Carmo, estudos críticos sobre o Supremo, sobre o direito dos refugiados, como os realizados pelo setor de direito, além das inserções entre a produção mais contemporânea e a perspectiva histórica, presentes em seminários, livros, apresentações e fóruns de debate diversos, que têm sido realizados ao longo das décadas de funcionamento da Fundação Casa de Rui Barbosa.

FLORA SÜSSEKIND, 57, é professora da Unirio e pesquisadora da Fundação Casa de Rui Barbosa

terça-feira, 5 de março de 2013

Pelo menos 120 escolas não tem bibliotecas em Campina



Há quase três anos, uma lei federal foi implantada no Brasil para obrigar a criação  de bibliotecas nas escolas públicas e privadas. A expectativa é que em 2020 todas as unidades de ensino ofereçam o serviço. Apesar da importância do instrumento, 120 escolas estaduais das 141 da região de Campina Grande não possuem bibliotecas. De acordo com a gerente da 3ª região de ensino, Terezinha Figueiredo, a falta de espaço físico é um dos problemas que impedem o funcionamento do serviço.

A lei federal nº 12.244/10 publicada no dia 24 de maio pelo então presidente Luiz Inácio Lula da Silva, informa, em seu artigo terceiro, que os sistemas de ensino do país deverão desenvolver esforços progressivos para que a universalização das bibliotecas escolares seja efetivada num prazo máximo de dez anos, respeitando inclusive a profissão de Bibliotecário. A lei também diz que será obrigatório um acervo de livros na biblioteca de, no minimo, um título para cada aluno matriculado. 

De acordo com a gerente da 3ª região, que compreende 41 municípios próximos a campina grande, as 21 escolas estaduais que possuem bibliotecas se encontram, em sua maioria, no município sede da gerência. "São escolas maiores em tamanho e número de alunos. Aquelas que se localizam em municípios menores e que não têm muito mais de 100 alunos, não possuem equipamentos como a biblioteca. Infelizmente, estas escolas também não possuem muito espaço físico para que possam ser ampliadas e implantados os equipamentos. Vamos ter uma reunião quinta feira ( 21/02/2013), com o intuito de criar projetos e verificar a situação de todas as escolas" disse.

Além de poucas bibliotecas, as escolas estaduais da região também disponibilizam de poucos equipamentos que têm o intuito de expandir o aprendizado dos alunos, como as salas de informatica e as quadras de esportes. Apenas 21 escolas possuem quadras e, 38, salas para estudos via computador. A gerência também informou que 23 escolas estão precisando de reforma, oito já estão sendo reformadas e mais duas em construção já estão sendo finalizadas nos municípios de Queimadas e Tenório.

Conforme o promotor da defesa dos direitos da educação do Ministério Público Estadual, Guilherme Câmara, todos estes instrumentos são importantíssimos para o processo ensino/ aprendizagem, mas a maioria das escolas não os possui, informando que apenas 27,5 % das unidades de ensino da rede pública nacional têm biblioteca. No que diz respeito as condições necessárias para a implantação da biblioteca escolar, a lei determina que haja coleção de livros, materiais videográficos e documentos registrados em qualquer suporte, destinados á consulta, pesquisa, estudo ou leitura.


Fonte: Jornal da Paraíba "cidades 5" _ 20/02/2013

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Alexsandra S. Cruz
Aluna do Bacharelado em Biblioteconomia - Depto. Ciência da Informação - UFPB

segunda-feira, 4 de março de 2013

Roberto Menezes no ônibus


O Destempero das Palavras
Roberto Menezes

“com o medo
aprendi o ofício
de armazenar as palavras
como num frigorífico”
Sergio de Castro Pinto


A palavra é muito moça para a embalsamarem engarrafada em formol. Palavra intocável com pele de louça enrugada no congelador. Menina feito velha moça-velha no poleiro da janela, escrava de dentes alinhados, esperando um alguém que lhe encontre sentido; ou um outro alguém que a ache, a tal-palavra, entre tantas, a mais bela. As palavras têm vida pequena; assim, deixe que, neste ínterim, ela seja plena.  

Deixe que a palavra saia lá fora, que encontre outras e crie os seus vícios. Faça dos seus vícios, suas gírias. A palavra logo se encontra, logo se enturma. Mas não tenha a deselegância de ir atrás dela, a passos de pai medroso. Hoje, maior é o medo que sai, do que o que rodeia. Sozinhas andando com as próprias pernas, assim deve ser, o bando das destemidas palavras ansiosas. Que tomem suas decisões, que se percam em buscas desapropriadas, por becos despropositais, em gargantas estreitas, por cordas bambas de caminho estreito. Que a palavra tome tão igual estreita confiança em si. Que ferva de bravura. As palavras nessa hora não têm medo. 

Para que embutir o que não lhes são congênito? 

E se, por sobressalto, a palavra se sentir extraviada que busque ajuda, que se ache, que encontre o itinerário com suas próprias palavras. Não se pode colocar palavras na boca das palavras. Um dia ela lá chega. As palavras não são muito entendidas de relógio. Um dia, nem que seja nunca, ela chega. Se não, é que ela não faria falta, não faria sentido chegar. Muitas daquelas magrelas palavras que nunca passaram da goela preferiram ficar assim, como um cubo de gelo, como um novelo de lã.

Palavras, por si sós, conseguem ter a esperteza de gatos de feira, de cachorros sem coleira. É só lhes fracionar a razão e a ração, e deixar que passem os seus próprios maus bocados, sem precaução, sem projeção. 

Palavras, por si sós, conseguem ter a riqueza da surpresa. Destemperada palavra obesa de costelas expostas. Por pirraça, se esconde ao ser caçada; mas, quando quer, vem, toda-ela oferecida a quem queira sobre a mesa.

sexta-feira, 1 de março de 2013

Tortura e glória

Clarice Lispector

Ela era gorda, baixa, sardenta e de cabelos excessivamente crespos. Veio a ter um busto enorme, enquanto nós todas ainda éramos achatadas. Como se não bastasse, enchia os bolsos da blusa, por cima do busto, com balas. Mas possuía o que qualquer criança devoradora de histórias gostaria de ter: um pai dono de livraria.



Pouco aproveitava. E nós menos ainda: até para aniversário, em vez de algum livrinho, ela nos entregava em mãos um cartão-postal da loja do pai. Ainda por cima com paisagem de Recife mesmo, onde morávamos, com suas pontes. Atrás escrevia com letra bordadíssima palavras como data natalícia e saudade.



Mas que talento tinha para a crueldade. Ela toda era pura vingança, chupando balas com barulho. Como essa menina devia nos odiar, nós que éramos imperdoavelmente bonitinhas, esguias, altinhas, de cabelos livres. Comigo exerceu com calma ferocidade o seu sadismo. Na minha ânsia de ler, eu nem notava as humilhações a que ela me submetia: continuava a implorar-lhe emprestados os livros que ela não lia.



Até que veio para ela o magno dia de começar a exercer sobre mim uma tortura chinesa.



Como casualmente, informou-me que possuía As reinações de Narizinho.



Era um livro grosso, meu Deus, era um livro para se ficar vivendo com ele, comendo-o, dormindo-o. E completamente acima de minhas posses. Disse-me que eu passasse pela sua casa no dia seguinte e que ela o emprestaria. Até o dia seguinte eu me transformei na própria esperança da alegria: eu não vivia, eu nadava devagar num mar suave. No dia seguinte fui à sua casa, literalmente correndo. Ela não morava num sobrado como eu, e sim numa casa.



Não me mandou entrar. Olhando bem para meus olhos, disse-me que havia emprestado o livro a outra menina, e que eu voltasse no dia seguinte para buscá-lo. Boquiaberta, saí devagar, mas em breve a esperança de novo me tomava toda e eu recomeçava na rua a andar pulando, que era o meu modo estranho de andar pelas ruas de Recife. Dessa vez nem caí: guiava-me a promessa do livro, o dia seguinte viria, os dias seguintes eram a minha vida inteira, o amor pelo mundo me esperava, andei pulando pelas ruas como sempre e não caí nenhuma vez.



Bom, mas não ficou simplesmente nisso. O plano secreto da filha do dono de livraria era tranquilo e diabólico. No dia seguinte lá estava eu à porta de sua casa, com um sorriso e o coração batendo. Para ouvir a resposta calma: o livro ainda não estava em seu poder, que eu voltasse no dia seguinte. Mal sabia eu como mais tarde, no decorrer da vida, o drama do dia seguinte ia se repetir com o coração batendo.



E assim continuou. Quanto tempo? Não sei. Ela sabia que era tempo indefinido, enquanto o fel não escorresse de seu corpo grosso. Eu já começara a adivinhar que ela me escolhera para eu sofrer, às vezes adivinho. Mas, adivinhando mesmo, às vezes aceito: como se quem quer me fazer sofrer está precisando que eu sofra.



Quanto tempo? Eu ia diariamente à sua casa, sem faltar um dia sequer. Às vezes ela dizia: pois o livro esteve comigo ontem de tarde, mas você não veio, de modo que o emprestei a outra menina. E eu, que não era dada a olheiras, sentia as olheiras se formando sob os meus olhos espantados.



Até que um dia, quando eu estava à porta de sua casa, ouvindo humilde e silenciosa a sua recusa, apareceu sua mãe. Esta devia estar estranhando a aparição muda e diária daquela menina à porta de sua casa. Pediu explicações a nós duas. Houve uma confusão silenciosa, entrecortada de palavras pouco elucidativas. A senhora achava cada vez mais estranho o fato de não entender. Até que essa mãe boa entendeu. Voltou-se para a filha e com enorme surpresa exclamou: mas este livro nunca saiu daqui de casa e você nem quis ler! E o pior para ela não era essa descoberta. Devia ser a descoberta da filha que tinha. Com certo horror nos espiava: a potência de perversidade de sua filha desconhecida, e a menina em pé à porta, exausta, ao vento das ruas de Recife. Foi então que, se refazendo, disse firme e calma para a filha: você vai emprestar agora mesmo As reinações de Narizinho. E para mim disse tudo o que eu jamais poderia aspirar ouvir. “E você fica com o livro por quanto tempo quiser.”



Entendem? Valia mais do que me dar o livro: pelo tempo que eu quisesse é tudo o que uma pessoa, pequena ou grande, pode querer.



Como contar o que se seguiu? Eu estava estonteada, e assim recebi o livro na mão. Acho que eu não disse nada. Peguei o livro. Não, não saí pulando como sempre. Saí andando bem devagar. Sei que segurava o livro com as duas mãos, comprimindo-o contra o peito.



Quanto tempo levei até chegar em casa, também pouco importa. Meu peito estava quente, meu coração estarrecido, pensativo.



Chegando em casa, não comecei a ler. Fingia que não o tinha, só para depois ter o susto de o ter. Horas depois abri-o, li algumas linhas, fechei-o de novo, fui passear pela casa, adiei mais comendo pão com manteiga, fingi que não sabia onde guardara o livro, achava-o, abria-o por alguns instantes. Criava as mais falsas dificuldades para aquela coisa clandestina que era a felicidade. Como demorei! Eu vivia no ar... Havia orgulho e pudor em mim. Eu era uma rainha delicada.



Às vezes sentava-me na rede, balançando-me com o livro aberto no colo, sem tocá-lo, em êxtase puríssimo. Não era mais uma menina com um livro: era uma mulher com o seu amante.



fonte: O pequeno livro das grandes emoções, 2009.