sábado, 14 de abril de 2012

Archidy Picado Filho no ônibus

O escritor Archidy Picado Filho está com livro novo na praça. Os cães do Diado - A história que Pero Vaz de Caminha não contou saiu pela Editora Ideia e já pode ser adquirido diretamente com o autor. Tive o privilégio de publicar meu primeiro livro ao lado de Archidy, fruto do prêmio Novos Escritos da Funjope.

Para saber mais sobre o livro e autor, confira entrevista no aqui

sexta-feira, 13 de abril de 2012

Roseana Murray no ônibus

O TRAPEZISTA

Vai e vem o trapezista
se balançando no espaço.
Pula a cerca que separa
o circo do céu
e com a cauda de um cometa faz um laço.
Vai e vem o trapezista
desarrumando as estrelas:
Até a lua se assusta,
esconde o rosto no regaço.
volta ao chão o trapezista
refazendo o mundo com seus passos.

In O Circo, ed. Paulus, reedição, 2011


Biografia

Nasceu no Rio de Janeiro em 1950. Graduou-se em Literatura e Lingua Francesa em 1973 (Universidade de Nancy/ Aliança Francesa).

Publicou seu primeiro livro infantil em 1980 (Fardo de Carinho, ed. Murinho, R.J). Em 2011 tem mais de 60 livros publicados. Tem dois livros traduzidos no México (Casas, ed. Formato e Três Velhinhas tão velhinhas, ed. Miguilim/ Ibeppe) . Seus poemas estão em antologias na Espanha. Tem poemas traduzidos em seis linguas ( in Um Deus para 2000, Juan Arias, ed. Desclée e Maria, esta grande desconhecida, Juan Arias, ed. Maeva.).

Recebeu o Prêmio O Melhor de Poesia da FNLIJ nos anos 1986 (Fruta no Ponto, ed. FTD), 1994 (Tantos Medos e Outras Coragens, ed. FTD) e 1997 (Receitas de Olhar, ed. FTD).

Recebeu o Prêmio Associação Paulista de Críticos de Arte em 1990 para o livro Artes e Ofícios, ed. FTD, S.P.
Entrou para a Lista de Honra do I.B.B.Y em 1994 com o livro Tantos Medos e Outras Coragens tendo recebido seu diploma em Sevilha, Espanha.

Recebeu o Prêmio Academia Brasileira de Letras em 2002 para o livro Jardins ed. Manati, R.J como o melhor livro infantil do ano.

Participou ao longo destes anos de vários projetos de leitura. Implantou em Saquarema, em 2003, junto com a Secretaria Municipal de Educação, o Projeto Saquarema, Uma Onda de Leitura.

quinta-feira, 12 de abril de 2012

150 anos de "Os Miseráveis"


"Há 150 anos, precisamente no dia 3 de abril de 1862, publicava-se simultaneamente em Paris, Leipzig, Bruxelas, Bucareste, Milão, Roterdã, Varsóvia e... Rio de Janeiro, o romance Os Miseráveis, do escritor francês Victor Hugo, que seria considerado daí por diante a maior obra literária do século 19.

De enredo fascinante, capaz de entreter o leitor ao longo de suas mil e tantas páginas, já evidencia toda a técnica da narrativa moderna com o uso do suspense, da interrupção para tomada de fôlego, da variedade estilística, da interferência e onisciência do narrador - enfim de todos os "macetes" da novelística atual, livresca ou televisiva, que abusa das coincidências e das trocas de nomes e pessoas sem que o leitor se sinta por isto ludibriado ou pouco sagaz.

Quanto a Os Miseráveis, o livro propriamente dito, temos, desde 2002, a definitiva tradução de Frederico Ozanam Pessoa de Barros, na edição da Cosac Naify, cuja capa roxo-funéreo e as lombadas negras fazem do livro um objeto de respeito e veneração. Altamente recomendável para quem quer (e precisa) conhecer esse romance imprescindível."

COM : IVO BARROSO, ESPECIAL PARA O ESTADO DE SÃO PAULO, IVO BARROSO É POETA, TRADUTOR - O Estado de S.Paulo

quarta-feira, 11 de abril de 2012

Fábio Mozart lança o folheto “O Sebo Cultural – Templo do Saber”

 
 
A presidenta Dilma Rousseff presenteou o presidente dos Estados Unidos, Barack Obama, com um exemplar do folheto “O Sebo Cultural – Catedral do Saber”, de Fábio Mozart, obra a ser lançada na praça da alimentação do livreiro Heriberto, talvez na próxima sexta-feira, dia 13 de abril.

Na ocasião, se houver ocasião, o autor da louvação rimada talvez tome a palavra para desovar a seguinte estrofe:

É com prazer que eu vou
Lançar muito humildemente
Este cordel reverente
Ao cabra que me pagou.
Ele já me perdoou
A conta que lhe devia
Dizendo que é covardia
Cobrar de um cabra babão
Autor de uma louvação
Que ele chama poesia.

Na incerteza da festa de lançamento, o aludido poeta que sou eu mesmo acha melhor não comparecer, enviando em meu lugar para me representar condignamente e abestalhadamente meu compadre e secretário Sonsinho, ele que já está trabalhando sua candidatura para vereador e vai pedir o voto do meu compadre Ivaldo Gomes, autor do prefácio do aludido folheto de feira, sendo o primeiro folheto a conter um prefácio.

Envio daqui meu desconvite a todos para esta festa que ameaça não ocorrer, salvando-se a humanidade de mais um produto de qualidade ruim, permanecendo a poesia de cordel virgem dessa vulgaridade puxasaquista porque provavelmente não haverá penetração. No entanto, em havendo o tal evento lançatório do folheto de Fábio Mozart, terá início às 18 horas, terminando às 18:30h para não incomodar a vizinhança, como mandam os bons costumes.

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terça-feira, 10 de abril de 2012

Miniconto de João Matias

O castelo

Cuidando ao ponto de não fazê-lo desmanchar na mais rasa maré, o ofício de engordar castelos de areia não me estressa. Fazê-la como princesa erguer o braço no mais alto vão: um compasso que não se constrói facilmente. Mas então veio o ogro. Subiu pé a pé os andaimes do castelo alto. A princesa não resistiu e, sem salvação, jogou-se de pequena brecha contra o rochedo marejado. Você ficou ali, estatelada, como se menos do que princesa não fosse sequer areia.

segunda-feira, 9 de abril de 2012

Jose Inácio Vieira de Melo no Ônibus



Foto: Ricardo Prado


AVE


Uma prece desponta na poeira:
neste defumador, bruma das almas,
nessa cruz da paixão. É sexta-feira –
falam no vinho em consoante flama.

Num cântico, tanger toda essa gente,
adentrar as cancelas dos currais,
e a prece, assimilada na tangente,
erguendo templos, constrói capitais.

O chocalho dos deuses chama a ave:
hora das trancas, bulício de chaves,
e o menino deseja o leite santo.

Reconhece-se nessa procissão
denso crivar da fome em profusão:
longa é a fila aos peitos dessa santa.

Do livro Terceira Romaria